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Interrompendo a espontaneidade Infantil: Prejuízos da criança na busca de Likes pelos pais, compartilhando fotos nas redes socias. Criança esperando a foto para poder brincar.

  • Foto do escritor: Psicólogo Daniel D. Gonçalves
    Psicólogo Daniel D. Gonçalves
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

A busca por aprovação nas redes sociais tem levado muitos pais a interromperem a espontaneidade natural das crianças para capturar a foto perfeita. Essa prática, aparentemente inofensiva, pode causar um impacto profundo no desenvolvimento emocional e psicológico dos pequenos, além de refletir um adoecimento na relação entre pais e filhos. Este texto explora como a interrupção da espontaneidade infantil para o aparente estético nas fotos, pode gerar traumas e prejudicar o viver com presença no presente, substituindo o ser pelo parecer.


Vista frontal de uma criança parada e posando para uma foto em ambiente externo
Criança parada para foto em ambiente externo, sem poder simplesmente apreciar

A espontaneidade da infância e seu valor, Criança esperando a foto para poder brincar.


Criança esperando a foto para poder brincar


A espontaneidade é uma característica essencial da infância. Ela representa a liberdade da criança de agir, sentir e expressar-se sem filtros ou pressões externas. Quando essa espontaneidade é interrompida para que a criança se encaixe em um padrão estético desejado pelos pais, ocorre uma ruptura no modo natural de viver e aprender.


Pais que insistem em controlar cada momento para registrar a imagem perfeita acabam criando um ambiente onde a criança se sente obrigada a performar para a câmera, perdendo a autenticidade do momento. Isso pode gerar um conflito interno, pois a criança começa a entender que seu valor está ligado à sua aparência ou à aprovação dos outros, especialmente nas redes sociais como o Instagram.


O impacto do "aparentar" sobre o "ser", a Criança esperando a foto para poder brincar.


A cultura do Instagram e outras redes sociais valoriza imagens cuidadosamente produzidas, muitas vezes desconectadas da realidade. Quando os pais reproduzem essa lógica na criação dos filhos, a criança passa a viver para o aparentar e não para o ser. Essa inversão pode causar:


  • Perda da espontaneidade: a criança deixa de agir naturalmente para atender expectativas externas.

  • Desenvolvimento de traumas: a pressão para corresponder a um padrão pode gerar ansiedade e insegurança.

  • Dificuldade em construir um self saudável: a identidade da criança fica atrelada à imagem que os outros aprovam, não ao que ela realmente sente.


Esses efeitos não se limitam à infância. Podem se estender para a vida adulta, dificultando o desenvolvimento de uma autoestima sólida e relações interpessoais genuínas.


Plano médio de uma criança olhando para a câmera com expressão forçada durante uma sessão de fotos
Abandono dos filhos pela ânsia de fotografar e postar, ao invês da experiênca única de Viver

A busca por likes e o adoecimento familiar


O compartilhamento constante de fotos de crianças nas redes sociais, motivado pela busca por likes e aprovação, revela um problema maior: o adoecimento emocional dos pais e filhos. Pais que priorizam a imagem da criança para o público virtual podem estar projetando suas próprias inseguranças e necessidades não resolvidas.


Esse comportamento pode causar:


  • Pressão excessiva sobre a criança para se comportar de determinada forma.

  • Dificuldade da criança em expressar sentimentos reais, pois aprende a esconder o que não agrada a audiência.

  • Relações familiares tensas, pois o foco na imagem pode diminuir o tempo e a qualidade da convivência verdadeira.


Além disso, a exposição precoce da criança nas redes sociais pode comprometer sua privacidade e segurança, gerando consequências que ultrapassam o ambiente digital.


Como preservar a espontaneidade e o self da criança


Para evitar esses prejuízos, é fundamental que os pais reflitam sobre suas atitudes e busquem formas de valorizar o ser da criança, não apenas sua imagem. Algumas práticas recomendadas incluem:


  • Respeitar o ritmo e o interesse da criança durante momentos de registro fotográfico, evitando forçar poses ou expressões.

  • Priorizar momentos de convivência genuína, sem a necessidade de registrar tudo para as redes sociais.

  • Dialogar com a criança sobre o uso das fotos, garantindo que ela se sinta confortável e respeitada.

  • Limitar o compartilhamento de imagens, pensando na privacidade e no impacto futuro.

  • Valorizar a espontaneidade, capturando momentos naturais sem interferir no comportamento da criança, através da memória humana e afetiva, não das lentes.


Essas atitudes ajudam a fortalecer o self da criança, promovendo um desenvolvimento emocional saudável e uma relação familiar mais equilibrada.


Vista lateral de uma criança brincando livremente em um parque, sem olhar para a câmera
Criança brincando livremente em parque

Reflexão final


As crianças são e serão o reflexo do que elas vivem todos os dias em casa.

Se os pais priorizam registrar o que ela está fazendo, e não viver com ela o momento, os pais estão atrás da lente e das redes, e não na vivência com a criança.

Crianças são simples, precisam da atenção plena, toque, companhia no mundo dela, o restante é necessidade dos Pais! E a necessidade dos pais não deve ser superior a dos filhos, a necessidade do Filhos é sempre a prioridade.


Vamos cuidar da autoestima e das experiências de infância das crianças, ou estarão cada vez mais cedo adoecidas de ansiedades.

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